Neste sábado vi o documentário
Quebrando o tabu, que discute as drogas em diferentes níveis, abordando os usuários, as diversas políticas governamentais para o tema aqui e em outros países... e Fernando Henrique como o principal interloctor.
Acho bom, amplo, rico, detalhado sem ser chato, concordo com quase tudo. Sendo assim, ao invés de falar sobre o documentário, falarei o que acho e sempre achei em relação ao assunto.
Algumas coisas me parecem bem óbvias sobre e reconheço que também na vida, outras tantas também me parecem, que a modéstia e a humildade se me escapam e fico pensando: COMO a maioria não enxerga?
Primeira obviedade sobre o assunto: reprimir não é o caminho! E estendendo à vida: reprimir RARAMENTE é o caminho! Pode até ser feito, mas com muito cuidado, sempre acompanhado de educação, conscientização. Simplesmente reprimir é não resolver, é abafar, é fazer com que aquele energia, aquela força volte muito maior um tempo depois.
E no caso das drogas, definitivamente a repressão não tem NENHUM aspecto positivo. Nem a repressão aos traficantes, nem aos usuários. Sem falar que a dita repressão aos traficantes só interessa aos governos e aos traficantes de verdade, os grande empresários do ramo. Que certamente não são só do ramo, aposto que estão espalhados em vários setores.
Então o óbvio é: liberar o uso das drogas acompanhado de uma lei que proteja quem usa e quem não usa. Como se faz na Holanda. Há pontos específicos onde se pode consumir, o Estado acolhe, pois ao invés de tratar o consumidor como bandido, se aproxima dele e oferece a possibilidade de tratamento. Oferece seringas descartáveis também, por exemplo.
E, claro, a conscientização. Se alguém me falar que o Brasil não está pronto para isso, concordo. Aliás, o Brasil, ou melhor, o brasileiro, não está preparado ainda pra quase nada. Povo mal educado, egoísta, superficial...
Mas o caminho, sem dúvida, é o da liberdade. E essa é a segunda obviedade. E para ter liberdade é preciso educação. Educação não é passar pela escola. É aprender de fato, é se conscientizar, é ser crítico, é saber conviver.
Quando e se o Brasil um dia for assim, aí estará preparado. Não apenas pra conviver com as drogas sem demonizá-las. Mas estará preparado para ser um país decente, livre no setindo mais amplo.
Poderá então não apontar o dedo para quem é consumidor de drogas. Respeitará sua liberdade, sua opção.
E o Estado estará ao lado de todos. De quem consome, oferecendo-lhe espaço, apoio, tratamento e INFORMAÇÃO. Campanhas educativas são fundamentas!
E de quem não consome, que terá o direito de andar livremente pelo seu país, pela sua cidade, com menos violência, tendo o direito de não consumir, claro.
Recomendo o documentário. A análise pode ser ainda mais ampla do que a que tentei fazer aqui.